22 janeiro, 2007

Aqui estão os amigos de Cristo















Onde estão os cristãos
Deveria sentir-se o gosto pela vida,
A alegria de viver,
A felicidade de estar juntos
E poder realizar coisas maravilhosas.

Então dir-se-ia:
«Aqui sente-se o sabor de viver!
Aqui estão os amigos de Cristo!»

Onde estão os cristãos
Deveria haver mais claridade,
Como se a luz aumentasse
Com os gestos de partilha,
Com as palavras de perdão,
Com a atenção dada aos mais pobres.

Então dir-se-ia:
«Aqui há luz!
Aqui estão os amigos de Cristo!»

Te pedimos Senhor
Que nos ensines a amar
À maneira do Pai do Céu
E assim nos tornemos
O sal da terra
E a luz do mundo.

Então todos possam dizer:
«Aqui estão os amigos de Cristo!»

13 janeiro, 2007

Não têm vinho


A verdade é que não temos vinho.
Sobram-nos as talhas, e a festa
se turva para todos, porque o destino
é comum e a única sala é esta.

Falta-nos a alegria partilhada.
Quebradas as asas, soltos os chacais,
tolhemos o curso da vida
aos vários povos comensais.

Sangue nosso e de Deus, vinho completo,
embriaga-nos de Ti para esse desafio
de sermos iguais na alteridade.

Uva pisada em nossa dura história,
vinho final, bebido a plena glória
na taberna da Trindade!

soneto de Pedro Casaldáliga

06 janeiro, 2007

Epifania



Deus do universo,
celebramos, nestes dias,
a manifestação do teu Jesus
a todos os povos.

Te louvamos pelos passos dados,
dentro de culturas tão diversas,
em ordem a acolher a novidade da tua presença.
Presença que transforma e renova
pelo Amor oblativo,
pela verdade libertadora.

Sei que subsistem regiões
e sobretudo muita realidade humana
ainda não tocada pela tua luz,
ainda encerrada à tua misericórdia,
ainda não aberta à tua bondade.

A luz do teu Cristo transborde e irradie
nas vidas, nos gestos e nas palavras
dos seus discípulos
e de todos os crentes verdadeiros,
homens e mulheres de fé.

Guia-nos pela tua estrela
para novos caminhos de anúncio,
para novos campos onde semear
a largueza fecunda do teu Amor.

(ao Deus de todas as manhãs - Carlos A. Moreira Azevedo)

03 janeiro, 2007

Procura


Queres reencontrar Aquele que veio
para salvar todas as pessoas?
Não o procures entre os ricos e os poderosos;

ele é irmão dos pobres, pequenos e abandonados.
Não o procures onde brilham as luzes
do dinheiro, do sucesso e do poder;
ele está na escuridão dos estábulos deste mundo,
aí onde as pessoas sofrem por causa da doença,
da angústia ante o futuro incerto.
Não o procures onde se passam dias aprazíveis;

ele está nos desertos da sede e da fome,
aí onde os homens lutam pela dignidade,
pela reconciliação e pela paz.
Não o procures no mundo da concorrência

e do cada um que se arranje;
ele está onde se fazem esforços sinceros
por instaurar a justiça social
e onde se trabalha na construção da paz.
Não o procures no teu coração agitado;

ele está no presépio duma Palavra de Verdade,
no pão e no vinho,
sinais da vida entregue
para cada um de nós
e para a vida do mundo!

30 dezembro, 2006

NATAL






Jesus,
Nesta noite de encontro
Contigo e com os irmãos,
E em espírito de família
Contemplo o mistério mais profundo do Natal:
O Teu nascimento

Em humildade e simplicidade,
A exemplo de Maria e José,
Venho adorar-Te no Presépio.
Como presente, quero dar-Te o meu coração,
Para fazer dele Tua morada.
Aceita-o, molda-o, transforma-o.
Para que, unido a Ti,
Te reconheça em cada um dos irmãos
E com eles construa um mundo mais fraterno,
Um mundo em que reine a PAZ.

Jesus, fica connosco,
Habita no nosso Lar,
Faz dele o Teu presépio,
Torna-o num lugar de comunhão,
De vida e de amor.
Que a alegria da Tua presença
Me faça anunciar;
Hoje, acontece e é NATAL.
Ceijor 2005

18 dezembro, 2006

Acreditar na Palavra

Quando José acordou,
fez como o anjo lhe tinha mandado:
recebeu Maria por esposa.(Mt.1,24)

No oceano das nossas palavras,

no turbilhão dos nossos ruídos,

é-nos dirigida uma voz,

como foi dirigida a José,

que foi obediente na fé.

Essa voz não é uma lei fria

mas uma palavra de Amor.


15 dezembro, 2006

Vale a pena

Você abriu, feche
Acendeu, apague.
Ligou, desligue.
Desarrumou, arrume.
Sujou, limpe.
Está usando algo, trate-o com carinho.
Quebrou, conserte.
Não sabe consertar, chame quem saiba.
Para usar o que não lhe pertença, peça licença.
Pediu emprestado, devolva-o.
Não sabe como funciona, não mexa.
É de graça, não desperdice.
Não lhe diz respeito, não se intrometa.
Não sabe fazer melhor, não critique.
Não veio ajudar, não atrapalhe.
Prometeu, cumpra.
Ofendeu, peça perdão.
Falou, assuma.
Assim, viverás melhor.

11 dezembro, 2006

Presépio de lata





Três estrelas de alumínio
a luzir num céu de querosene
um bêbedo julgando-se César
faz um discurso solene

sombras chinesas nas ruas
esmeram-se aranhas nas teias
impacientam-se as gazuas
corre o cavalo nas veias

há uma luz na barraca
lá dentro uma sagrada família
à porta um velho pneu com terra
onde cresce uma buganvília

é o presépio de lata
jingle bells, jingle bells

oiçam um choro de criança
será branca, negra ou mulata
toquem as trompas da esperança
e assentem bem qual a data

a lua leva a boa nova
aos arrabaldes mais distantes
avisa os pastores sem tecto
tristes reis magos errantes

e vem um sol de chapa fina
subindo a anunciar o dia
dois anjinhos de cartolina
vão cantando aleluia

é o presépio de lata
jingle bells, jingle bells

nasceu enfim o menino
foi posto aqui à falsa fé
a mãe deixou-o sozinho
e o pai não se sabe quem é

é o presépio de lata
jingle bells, jingle bells

(CarlosTê/Rui Veloso)

06 dezembro, 2006

Exclamação


Eis o nosso Deus,
nele confiámos e Ele nos salva (Isaías25,9)


Eis o nosso Deus!
a despertar-nos na nossa noite:
impossível instalar-nos
no conforto das nossas ideias.
Alguém vem
que transtorna as nossas certezas
e nos sacode da nossa preguiça.

Eis o nosso Deus!
Vens para nos salvar,
ofereces-te totalmente.
Queremos vestir-nos de festa
e esperar pela tua vinda.

Eis-me,Senhor!
Deixo o meu sono
e acolho-te hoje:
és Tu que dás a Vida.

05 dezembro, 2006

Estende-me a tua mão



Gostaria de estender os meus braços para ti
a fim de que me pegues pela mão
e me conduzas pelo caminho do bem.
Desejas que não caminhe sozinha,
como um peregrino solitário.


E se eu não vou contigo,
engano-me, tropeço.
Senhor, estende-me a tua mão.
Confio em ti...

02 dezembro, 2006

O tempo dos presentes


Deus não dá um presente:
dá-se, entrega-se a nós.
Não como uma coisa ou objecto
com mais ou menos valor,
desses que se costumam oferecer.

Quando Deus se dá,
dá-se como alguém a alguém.
Dá-se sem contar, sem calculçar,
sem medir o seu tempo ou trabalho.

Quando Deus vem a nós,
traz o coração cheio de ternura

Quando Deus vem a nós,
é um presente do céu!

01 dezembro, 2006

Construir pontes


Quando procuramos animar alguém, fazemos-lhe sentir, que não está sozinho.
Quando oferecemos um ombro amigo, fazemos-lhe sentir, que somos um abrigo.
Quando escutamos alguém, fazemos-lhe sentir, que partilhamos a sua dor.
Quando damos palavras de reconforto, fazemos-lhe sentir, que estão no nosso coração.
Seremos capazes de construir pontes de amizade e solidariedade.

29 novembro, 2006

A Veia do Poeta



Cansado do movimento
Que percorre a linha recta
Fui ficando mais atento
Ao voo da borboleta
Fui subindo em espiral
Declarando-me estafeta
Entre o corpo do real
E a veia do poeta

Mas ela não se detecta
À vista desarmada
E o sangue que lá corre
Em torrente delicada
É a lágrima perpétua
Sai da ponta da caneta
Vai ao fim da via láctea
E cai no fundo da gaveta

Ai de quem nunca guardou
Um pouco da sua alma
Numa folha secreta
Ai de quem nunca guardou
Um pouco da sua alma
No fundo duma gaveta
Ai de quem nunca injectou
Um pouco da sua mágoa
Na veia do poeta.
Carlos Tê

28 novembro, 2006

Magnificat


A minha alma glorifica o Senhor *
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva: *
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: *
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração *
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço *
E dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos *
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens *
E aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo, *
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais, *
A Abraão e à sua descendência para sempre
Glória ao Pai e ao Filho *
E ao Espírito Santo,
Como era no princípio, *
Agora e sempre.
Amen.

Tem asas para voar