
Três estrelas de alumínio
a luzir num céu de querosene
um bêbedo julgando-se César
faz um discurso solene
sombras chinesas nas ruas
esmeram-se aranhas nas teias
impacientam-se as gazuas
corre o cavalo nas veias
há uma luz na barraca
lá dentro uma sagrada família
à porta um velho pneu com terra
onde cresce uma buganvília
é o presépio de lata
jingle bells, jingle bells
oiçam um choro de criança
será branca, negra ou mulata
toquem as trompas da esperança
e assentem bem qual a data
a lua leva a boa nova
aos arrabaldes mais distantes
avisa os pastores sem tecto
tristes reis magos errantes
e vem um sol de chapa fina
subindo a anunciar o dia
dois anjinhos de cartolina
vão cantando aleluia
é o presépio de lata
jingle bells, jingle bells
nasceu enfim o menino
foi posto aqui à falsa fé
a mãe deixou-o sozinho
e o pai não se sabe quem é
é o presépio de lata
jingle bells, jingle bells
(CarlosTê/Rui Veloso)
Sem comentários:
Enviar um comentário